Tempestade
De repente, a calmaria. Estranha, diferente. Parou o vento, acalmou-se o mar. O sol continua forte. Silêncio. Silêncio profundo, respeitoso. Lagartos verdes desaparecem por entre as pedras. Gaivotas, bem-te-vis e corujas da praia voam, com pressa, em busca de abrigo. No horizonte, nuvens negras avançando. Guarda-sóis sendo fechados, toalhas e esteiras recolhidas, mães chamando filhos. Nuvens grossas começam a cobrir o sol. Escurece. Aos poucos, a praia fica deserta. Raios começam a riscar o céu, trovões rompem o silêncio. Um vento frio começa a soprar. Inicialmente leve, mais forte depois, aos poucos, vai encrespando o mar. Uma cortina de chuva, grossa e branca, se aproxima. Raios cada vez mais fortes ligam o solo às nuvens. Os sons secos e fortes dos trovões penetram no fundo da sua alma. As primeiras gotas frias de chuva batem com força no seu rosto e deixam marcas na areia branca e macia. Aos poucos, cada vez com mais intensidade, a chuva e o vento massageiam o corpo queimado ...