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Mostrando postagens de maio, 2017

A Minha Alma

Sabem vocês que eu não gostava de usar a palavra alma. Alma tem um significado religioso, ela é imortal. Isto vem desde Platão. Mas foi a civilização egípcia, há mais de cinco mil anos, que marcou a sua fé na imortalidade da alma. Há mais de sessenta anos, o meu catecismo católico dizia no seu artigo primeiro - que éramos obrigados a decorar: 1. Pergunta: Para que vivemos na Terra? Resposta: Vivemos na terra para salvar a nossa alma. Para eu, criança, tinha a impressão de que a alma era um fantasma que habitava o meu corpo. Com a morte do corpo ele ia para o céu ou para o inferno de acordo com o que eu tinha feito da minha vida. Eu tinha livre escolha. Essa era a imagem de alma que eu tinha. Somente depois da meia-idade, com a crise existencial, fui-me aproximando do significado da alma. EU SOU A ALMA. Quando penso, amo, falo, rio ou choro é a minha alma que se está manifestando. Ela não é imortal. Ela é um produto do cérebro e, portanto é matéria. Ela não é um ser a parte d...

Eu apenas sou diferente

A percepção singular da realidade forma a consciência individual. De acordo com C. G. Jung, há duas atitudes conscientes, duas formas gerais de observar a realidade: - aquela em que o mundo externo, ou seja, tudo fora do sujeito, é o eixo dos acontecimentos: o extrovertido. - aquela em que o mundo subjetivo é o centro de tudo; a importância do mundo objetivo é julgada apenas pela medida em que o afeta: o introvertido. A função psicológica é o modo específico de assimilar e acomodar a experiência. Jung, usando a Astrologia , assim define as funções que correspondem aos quatro elementos: sensação – terra; pensamento – ar; sentimento – água; intuição - fogo. Como há duas formas de observar a realidade (extrovertido e introvertido), temos, então, os oito tipos psicológicos de Jung. A função psicológica representa uma atitude mental essencial e as quatro funções constituem uma visão completa de uma situação ou de um assunto. No tipo pensamento (elemento ar) a ênfase reside no pens...

Profissionais da Saúde

“ Médico pensa que é Deus; jornalista tem certeza.” (Ricardo Noblat) Um ego puro, perfeito, absoluto. Eles precisam ser confiáveis, respeitados e admirados no mundo dos egos. Os profissionais de saúde, já antes de colocarem o jaleco, incorporam a imagem do personagem criado pela sociedade. Até a sua linguagem é diferente. Falando com um jovem dentista ele me dizia que quando trabalhava era um instrumento nas mãos de Deus. Era ele que usava o bisturi, a broca e o boticão, mas a sua mão era guiada por Deus. Falava sério. Um médico dizia que nenhum valor tinha o que eu sentia. Somente valia o resultado de um exame laboratorial. Num controle de diabetes a restrição ao uso de açúcar era indispensável. E eu: - Doutor estou com uma terrível vontade de comer açúcar. E ele: - Isto é psicológico; teus exames estão perfeitos. E não falou mais no assunto. Depois de algum tempo, descobri que o sintoma era a ansiedade; eu também sofria de depressão. Outro dentista era sádico; gostava de fa...

MULHERES

A mãe é a primeira mulher que conhecemos. Mamãe me chamava de “Meu” e a deixei aos 11 anos de idade. Saí sozinho de casa com uma mala de madeira e peguei o ônibus para uma viagem de aproximadamente 150 quilômetros. Não chorei, mas que deu vontade, deu. Depois, somente fui encontrá-la nas férias. Então, posso afirmar que não conheci a minha mãe. Ficou a lembrança de uma pessoa que gostava de poupar. Depois de uma doença do filho, ela e o pai colocaram uma pequena fortuna na “Kasten” (caixa de madeira) para uma emergência. Esqueceram... Depois de 20 anos o que acharam e já não valia nada. Conheci outra, pelo ciúme. Doentio. Ele também é um veneno, do mesmo tipo que o ódio, que habita a alma. É uma afeição doentia, uma necessidade de posse e de domínio. Penso que ela sofre mais do que o ser amado. Esta doença não tem cura. Ela somente se satisfaz quando tem o domínio total, em todos ângulos, da sua presa. Um conhecido fez um curso de doutorado na Alemanha. Ele conheceu algumas alemã...

O Mal

A banalização do Mal de Hannah Arendt  (1906-1975):  “... Adolf Eichmann não possuía um histórico ou traços  antissemitas  e não apresentava características de um caráter distorcido ou doentio. Ele agiu segundo o que acreditava ser o seu dever, cumprindo ordens superiores e movido pelo desejo de ascender em sua carreira profissional, na mais perfeita lógica burocrática. Cumpria ordens sem questioná-las, com o maior zelo e eficiência, sem refletir sobre o  Bem  ou o  Mal  que pudessem causar. … A trivialização da  violência   corresponde ao vazio de  pensamento , onde a banalidade do mal se instala.“ (pt.wikipédia) Não, não é sobre a banalização do Mal de Hannah Arend. Preciso escrever sobre o Mal que habita a alma e que se manifesta em coisas pequenas e triviais no relacionamento humano. Mal este que chega a somatizar, isto é, transferir para o corpo em forma de, geralmente tumor, o mal psicológico. Observo que o DNA¹ é básic...

A Mãe e o Pai

Dizia um amigo que também cresceu na Colônia alemã: -  Dois ovos fritos pela manhã. Que beleza, não? E Eu: - Dois ovos é muito. Talvez meio, e olhe lá! Pensam alguns que as pessoas miseráveis tem trauma de infância. Afirmam outros que a sua natureza, o seu espírito já é miserável, sovina, avarento, mesquinho. Jean Jacques Rousseau escreve: “a natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e o torna miserável.” É de se perguntar porque entre dez irmãos educados pelo mesmo pai e mesma mãe, num sítio isolado do interior, todos são tão diferentes. A diferença, na verdade, é gerada pelo DNA que faz cada um diferente dos demais. É de sua natureza individual ser dadivoso, liberal, generoso ou sovina, avarento e miserável; dedicar-se ao conhecimento ou a juntar dinheiro; ser esperto e inteligente ou tanso e devagar; introvertido e extrovertido. Em outra família, na maioria parece imperar o espírito do mal. A educação, a escola, os amigos, os par...

Isto é ser Verdadeiramente Livre

“ De acordo com Nietzsche a energia que move a vida é a energia da vontade, a vontade do poder. A vontade do poder atrai naturalmente o ego. A luta é basicamente o caminho da vontade. Levar a vontade a uma perfeição total será a libertação. Quanto mais você puder se controlar, quanto mais puder controlar os seus instintos, quanto mais puder controlar o seu corpo e seu intelecto, mais poderoso se sentirá. Você se torna um mestre interiormente. Mas isto se dá através de conflitos, através de luta e violência. Quanto mais inatingível o fim, maior perfeição do ego existirá - um ego puro, perfeito, absoluto. Conseguir a perfeição do ego é tornar-se o centro de todo o universo. Intelectualmente é concebível, é existencialmente impossível....”(Rajneesh) Na verdade não é Nietzsche (1844-1900) que afirma que a energia da vontade move a vida. Quem o fez, antes dele, foi Arthur Schopenhauer com o livro “O Mundo como Vontade e Representação” em 1819. A força da vontade e o Ego são indissociáv...