MULHERES
A
mãe é a primeira mulher que conhecemos. Mamãe me chamava de “Meu”
e a deixei aos 11 anos de idade. Saí sozinho de casa com uma mala de
madeira e peguei o ônibus para uma viagem de aproximadamente 150
quilômetros. Não chorei, mas que deu vontade, deu. Depois, somente
fui encontrá-la nas férias. Então, posso afirmar que não conheci
a minha mãe. Ficou a lembrança de uma pessoa que gostava de poupar.
Depois de uma doença do filho, ela e o pai colocaram uma pequena
fortuna na “Kasten” (caixa de madeira) para uma emergência.
Esqueceram... Depois de 20 anos o que acharam e já não valia nada.
Conheci
outra, pelo ciúme. Doentio. Ele também é um veneno, do mesmo tipo
que o ódio, que habita a alma. É uma afeição doentia, uma
necessidade de posse e de domínio. Penso que ela sofre mais do que o
ser amado. Esta doença não tem cura. Ela somente se satisfaz quando
tem o domínio total, em todos ângulos, da sua presa.
Um
conhecido fez um curso de doutorado na Alemanha. Ele conheceu algumas
alemãs. “Terríveis! Mães autoritárias, autoritárias,
autoritárias! E as filhas não poderiam ser diferentes”. Os
homens, não. Eles eram de fácil diálogo. Lembro-me que foram as
mulheres e os imigrantes os maiores responsáveis pela reconstrução
da Alemanha. Morreram 20 milhões de alemães, a grande maioria
homens. O trauma da guerra é inimaginável para nós brasileiros. As
mulheres o suportaram e venceram. Parabéns a elas!
Tive
uma alemã e um jovem alemão como professores de alemão num curso
extracurricular na Universidade. O alemão fazia apologia da cocaína.
Ela, casada, tinha um filho de 8 anos que era colega do meu filho na
escola. Ele fez aniversário e convidou o meu filho para o
aniversário. Eles moravam na Trindade e nós em Capoeiras (a 15
quilômetros). Eu e a mulher o levamos. Em lá chegando: - Vamos
entrar? Convite, por educação, aceito por educação. Nós não
estávamos vestidos adequadamente. Eu não levava em buquê de flores
para a dona da casa... Entramos. Na aula de alemão tive que ouvir
poucas e boas! Ela muito educada, não falou o meu nome, mas disse
tudo o que eu não queria ouvir.
Mulheres...
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