A Minha Alma

Sabem vocês que eu não gostava de usar a palavra alma. Alma tem um significado religioso, ela é imortal. Isto vem desde Platão. Mas foi a civilização egípcia, há mais de cinco mil anos, que marcou a sua fé na imortalidade da alma.
Há mais de sessenta anos, o meu catecismo católico dizia no seu artigo primeiro - que éramos obrigados a decorar:
1. Pergunta: Para que vivemos na Terra?
Resposta: Vivemos na terra para salvar a nossa alma.
Para eu, criança, tinha a impressão de que a alma era um fantasma que habitava o meu corpo. Com a morte do corpo ele ia para o céu ou para o inferno de acordo com o que eu tinha feito da minha vida. Eu tinha livre escolha. Essa era a imagem de alma que eu tinha.
Somente depois da meia-idade, com a crise existencial, fui-me aproximando do significado da alma. EU SOU A ALMA. Quando penso, amo, falo, rio ou choro é a minha alma que se está manifestando. Ela não é imortal. Ela é um produto do cérebro e, portanto é matéria. Ela não é um ser a parte do corpo. Ela e corpo formam uma unidade. A sua única liberdade é agir de acordo com o esqueleto mental que lhe foi dado pela natureza.
Mas a palavra Alma tem raízes profundas no meu ser. O primeiro livro do Rohden que li e adorei foi “De Alma para Alma”. Penso que esta palavra tem o verdadeiro significado daquilo que alguns chamam de “parte imaterial do ser”.
A minha alma estava presente quando eu criança estava na parte externa da igreja de São Pedro numa Sexta-feira Santa, sentindo o cheiro do cipreste italiano (cupressus sempervirens) e ouvindo a matraca chamando para a oração.
Alguns também a chamam de espírito e mente. Mas eu, hoje, a chamo de alma. A minha alma sou eu.

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