Tempestade

De repente, a calmaria. Estranha, diferente. Parou o vento, acalmou-se o mar. O sol continua forte. Silêncio. Silêncio profundo, respeitoso. Lagartos verdes desaparecem por entre as pedras. Gaivotas, bem-te-vis e corujas da praia voam, com pressa, em busca de abrigo. No horizonte, nuvens negras avançando. Guarda-sóis sendo fechados, toalhas e esteiras recolhidas, mães chamando filhos. Nuvens grossas começam a cobrir o sol. Escurece. Aos poucos, a praia fica deserta. Raios começam a riscar o céu, trovões rompem o silêncio. Um vento frio começa a soprar. Inicialmente leve, mais forte depois, aos poucos, vai encrespando o mar. Uma cortina de chuva, grossa e branca, se aproxima. Raios cada vez mais fortes ligam o solo às nuvens.
Os sons secos e fortes dos trovões penetram no fundo da sua alma. As primeiras gotas frias de chuva batem com força no seu rosto e deixam marcas na areia branca e macia. Aos poucos, cada vez com mais intensidade, a chuva e o vento massageiam o corpo queimado pelo sol. A tempestade se intensifica. A chuva, aos cântaros, quase o sufoca. O céu, o mar, a praia e a floresta estão unidos pela chuva, pelos raios e pelos trovões. Sentado, ele é o centro do universo. Sente o poder das forças da natureza e identifica-se com elas.
Levanta-se. Abre os braços... Salta... Gira e dança. Dança levado pelo vento, embalado pela chuva, iluminado pelos raios, sob a cadência dos trovões.
- Eu sou Terra, eu sou Água, eu sou Ar, eu sou Fogo! Viva a vida, a liberdade e o amor!
Aos poucos, é apenas um vulto rodopiando, rodopiando, rodopiando...
O vento diminui, a chuva passa, o mar se acalma...

Anoitece... Os últimos pingos de chuva... O afago do vento no corpo nu, dourado e cansado, deitado na praia deserta.

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