Homo Sapiens, Sapiens
Há
aproximadamente 100.000 anos o líder de um grupo começou a notar
que os seus sonhos estavam mudando. O que era um amontoado de sombras
abriu-se para a maravilha de imagens em preto e branco.
Passaram-se
mil anos e o líder de plantão, agora, estava percebendo que as
imagens dos seus sonhos eram também as do seu ambiente: frutas,
árvores, animais e amigos de jornada. E percebeu, espantado, que ao
identificar e relacionar entre si as imagens, ele percebia um
significado.
Soltando
grunhidos diferentes para as imagens reais, ele começou a
aperfeiçoar a comunicação, com os outros e assim, mesmo não
sabendo, começou a pensar e a falar. Depois de mais mil anos, os
seus pensamentos já estavam parcialmente organizados e as palavras
identificavam as coisas.
Depois de mais mil anos, os mistérios do mundo e do seu ambiente continuavam a intrigá-lo. Percebeu que havia uma força superior que interferia misteriosamente na sua realidade. Tempestades, secas, cheias e o ambiente em que viviam seguiam regras inexplicáveis. Pensando, ele e os seus, chegaram à conclusão que esta força superior, deveria ser um cérebro parecido com o deles que administrava o mundo.
Mesmo que os seus sentidos não conseguissem perceber o que estava além do conhecimento, acreditaram que este cérebro administrava as coisas que eles não conseguiam compreender. Pensaram que se mostrassem submissos, num jogo muito conhecido por eles, poderiam ter acesso ao Seu conhecimento. Pensavam que Ele era único, mas os seus vizinhos não pensavam assim. Diziam que cada força era Uma e era necessário cultuá-las de forma própria, individual.
Os que acreditavam num deus único decidiram adulá-lo e adorá-lo para merecer os Seus favores. O sacrifício era uma oferenda feita com mortes de animais, crianças, homens ou mulheres numa demonstração de submissão, apreço e amor.
Depois de mais alguns mil anos, o intelecto e o sentimento se desenvolveram, o cérebro, as glândulas, todo o corpo físico passou por alterações e aperfeiçoamentos. Mas o homem pensava e os seus pensamentos criavam cada vez mais imaginações, ilusões que o afastavam cada vez mais da realidade. Não sabiam eles que Deus, como estava sendo chamado, era apenas uma Energia que permeava o Universo. Mas eles o criaram para ser um ser que servia para intimidar o outro, para agregar um poder usado pela crença, para dar autoridade sobre os outros humanos, usando o bordão “VONTADE DE DEUS” que não podia ser provado, mas era justificado pela fé.
O grande apelo eram as promessas de imortalidade da alma, de céu e inferno, como recompensa e castigo, que eram eficientes para cérebros pouco evoluídos, mentalidades infantis que eram facilmente atraídas por ensinamentos sensacionalistas.
Depois de muitos mil anos, o cérebro humano evoluiu, descobriu a força industrial, a tecnologia e a ciência. A cultura deu lugar a um pensamento crítico e a humanidade passou por ciclos evolutivos tão impactantes que a todos espantavam.
Hoje as consciências mais evoluídas já aceitam que são forças que movem o universo. A vida imortal, o céu e o inferno também são conceitos questionados. Na evolução desses conceitos sabe-se que a vida imortal evoluiu dentro de uma nova ideia, não de um prolongamento da idade e do tempo, mas o retorno ao começo. Fecha-se o círculo. O começo da vida começou com a transmissão pelo sexo do DNA da família e a morte será o retorno dessa energia a este Rio, deixando a matéria, o corpo, enterrado no barro.
No DNA este indivíduo manter-se-á inconsciente até quatro gerações, quando poderá voltar, então como trineto de um indivíduo que viveu anteriormente. No DNA da família estão acondicionadas todos as energias ou espíritos desde o início da sua existência e que poderão voltar à vida nas futuras gerações, mantendo a memória inconsciente da sua história. Mas nada disso é certo. Tudo é relativo.
Não podemos negar a existência de Deus. Afinal Ele é tudo aquilo que nos move inconscientemente, as forças do Universo. O corpo é um microcosmos com as suas energias calibradas pela vida e em permanente interação com as forças do Universo. Ontem, por exemplo, aqui no nível do mar, a mudança da pressão atmosférica me afetou intensamente. Muito mal estar.
Fiz um post “E Ele estava lá”. Naquele momento eu não sabia quem era Ele. Mas agora sei que é o meu espírito da família, aquele que irá morrer comigo e reintegrar-se na força do DNA. Talvez daqui a 4 gerações eu retorne como um novo bebê da família Pütz. Não serei um novo Romeu, mas um bebê que irá viver uma nova aventura.
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