E agora?

Sem pedir conselhos, seja de pais, amigos ou professores, decidiu encerrar os seus estudos no Seminário. Foi uma decisão radical. Mudar totalmente os rumos da vida.
Na viagem de volta, no ônibus – milagre - entabulou um longo papo com uma jovem simpática.
Chegando em casa, achou que a sua decisão estava sendo aceita pelos pais. Não houve cobrança ou pedido de justificativas. Se houve, não se lembra. Mas na sua vida, as suas decisões, nunca foram contestadas. Ele inspirava muita confiança no que fazia, e os outros não se interpunham. Aquele ar superior, entretanto, lhe exigia muito esforço e coragem.
A falta de vocação para o serviço manual exigido no sítio era clara. Não era uma questão de “preguiça”, mas de inapetência, de inclinação para aquele tipo de trabalho.
A mãe falou que escreveria ao tio Antônio em Joinville, para conseguir-lhe um emprego na cidade que tinha muitas unidades industriais. Era chamada de Manchester Catarinense.
Enquanto esperava a resposta – que levou dois meses – foi conhecendo o Clube 4 S que estava desenvolvendo um trabalho de orientação aos agricultores da região, através da Acaresc.
Finalmente chegou a carta dando o aceite.
Fez as malas, incluindo os livros que havia trazido do Seminário: Um Missal; três livros que esquecera de devolver à biblioteca; um volumoso dicionário de Alemão que lá havia comprado e que possui até hoje e o documento mais importante: o diário do seu primeiro amor.
Em Joinville conheceu seus tios, o filho único adolescente, Carlinhos e duas jovens sobrinhas da sua tia. Eles moravam no centro da cidade numa casa de três pisos de propriedade do Banco em que seu tio trabalhava.
Indicaram-lhe a parte do sótão onde iria morar. No meio de tralhas diversas, havia uma cama. Uma claraboia dava luz e ar corrente. O outro lado era uma área de serviços de roupas.
Ajeitou as suas coisas e foi apresentado aos membros da família. As meninas gostaram dele, mas o rapaz parecia não ter gostado do intruso.

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