“Efetuar a união com o seu espírito, mediante o processo de evolução consciente”… “O conhecimento do próprio espírito exige antes de mais nada seriedade, meditações serenas, análises contínuas e prolixas de suas fugazes intervenções e atenção constante, para surpreendê-lo quando usa de nossas faculdades. Exemplos concretos dessas intervenções fugazes os temos toda vez que acodem à nossa mente estimáveis pensamentos, cujo concurso não esperávamos, ou quando brotam do ato de pensar ideias luminosas, que assombram o próprio juízo”
….”Esse ente ignorado, que articula seus movimentos na penumbra mental de seu ser, frustrando as indagações da inteligência, é o espírito, que só terá ingerência em sua vida quando o homem de dispuser a iluminá-la com conhecimentos adequados, que, ao dar-lhe acesso ao âmbito interno, lhe permitam conhecer o porquê dessas inquietudes, que jamais pôde silenciar.”… “Por conseguinte, o que ressalta mais a diferença e superioridade absoluta do homem com respeito ao animal é, como dissemos antes, seu espírito, com as prerrogativas inerentes ao mesmo.”...” Deus tem seu altar no seio da Criação, e o tem, também, em cada coração humano. No primeiro oficiam potências cósmicas; no segundo, a consciência individual.”
...”O conhecimento de si mesmo é, pois o conhecimento que a alma aspira a alcançar de seu próprio espírito; é a via de acesso ao encontro e conexão com o mundo metafísico, o que de forma alguma constitui uma utopia, sendo, ao contrário, uma realidade que é tanto mais comprovável, quanto mais fecundo seja o esforço do homem por superar suas atuações em todas as ordens da vida.”...”Quem a isso se dispuser, tenha em conta que o mundo mental ou metafísico não é acessível à alma. A natureza desta não é sutil e incorpórea como a do espírito, dotado para franquear as portas desse mundo, também incorpóreo.” ...”A sabedoria de Deus dispõe que as verdades que vinculam o homem a seu espírito permaneçam encerradas dentro de seu ser. Aí se encontram, à espera de que as descubra, para o que deve internar-se dentro de si mesmo e conhecer, a partir deste ponto, o mundo metafísico, causa e origem de tudo quanto existe.” …
Quando Deus criou o homem terreno, sua concepção foi perfeita, como não poderia deixar de ser. Fê-lo superior a todo outro ser vivo sobre a terra, e, portanto, concedeu-lhe a graça de possuir duas naturezas: a física e a espiritual. Isto explica com farto fundamento a sobrevivência do espírito humano, visto que, ao cessar a vida física, permanece a espiritual, formada com os elementos eternos constitutivos da existência. A natureza física, dotada de um perfeito organismo com função automática e permanente à margem da vontade, com aparelhos e sistemas biológicos que atuam e se comunicam entre si maravilhosamente, e um mecanismo psicológico que se resume na alma, sempre cumpriu e continuará cumprindo sua missão humana dentro das necessidades, limitações e perspectivas que incumbem à vida do homem a quem alguém chamou, um pouco prematuramente, de “rei da criação”. …
“Pelo exposto se entenderá que a natureza física é perecedora, e o é em virtude de sua corruptibilidade, que culmina com sua desintegração, fato que, devemos ressaltar, não ocorre com o espírito, por sua imutável natureza. Entretanto, as mudanças evolutivas que encadeiam a perpetuidade não se produzem nela, mas sim na célula hereditária, substância mental, básica e eminentemente sensível, que vai forjando o destino individual de cada homem.”… “O homem deve aprender a organizar sua vida para perpetuar-se dentro de sua própria consciência, por ser ela a que lhe permite experimentar a sensação inefável de ser e de existir, e a que concentra, na célula hereditária ou genética, a síntese perfeita de tudo quanto realizou durante a vida. Todas as conquistas em prol do aperfeiçoamento ficam ali impressas, o que contribui para a perpetuidade da herança e configura a verdadeira identidade do ser, bem de sua exclusiva posse, onde está calcada até a sua própria fisionomia. A célula hereditária ou genética é, pois, a portadora da herança espiritual de cada indivíduo. Nela se concentram os valores intelectuais, morais e espirituais que o homem incorpora em cada uma das etapas da vida humana, através de seu longo existir, e, também, tudo o que em seu desfavor haja feito durante estes períodos de vida. O espírito individual é o depositário dessa herança, da qual o homem dispõe à vontade em cada etapa existencial, desfrutando, segundo o curso que resolva dar à sua vida, dos adiantamentos alcançados, ou responsabilizando-se pelo retardamento que o deteve ou entreteve. Recolhida e custodiada sempre pelo espírito, a célula hereditária avança através das gerações, mas permanece em segredo para o homem até que este descubra, mediante o reencontro com seu próprio espírito, os valores do patrimônio individual acumulado ao longo de sua existência”…. “Concernem aos domínios do espírito e lhe são consubstanciais os sistemas mental e sensível do indivíduo, seus pensamentos e ideias, suas percepções e toda expressão posta de manifesto pelo ente físico em sua dimensão psíquica, caracterizada pela alma.”
“A alma é o ente físico em sua configuração psicológica. Anima e move à ação e ao desenvolvimento os três sistemas: o mental, o sensível e o instintivo, mas limitando sua função às prerrogativas humanas comuns, seja no material, seja no moral e intelectual. A alma usa a inteligência, a sensibilidade e o instinto para todas as emergências e questões relacionadas com o desenvolvimento da vida física, até mesmo em seus aspectos intelectuais mais elevados. Coerente com ser físico, tem interversão ativa no desenvolvimento biológico do homem. Quando o sopro da vida desaparece, corpo e alma deixam de existir. O mesmo não ocorre com o espírito, pelo fato de a sua existência não depender da matéria. A alma, por sua própria constituição, é inseparável do corpo físico. Por isso, ao cessar neste a vida, a alma acompanha o corpo em sua desintegração; é portanto, perecedora.” “Fica, pois subentendido que a bagagem de saber e de experiência, alcançada no plano comum pela alma, ao término de seus dias, é absorvida e conservada pelo espírito, e só servirá, em ciclos sucessivos de existência, aos mesmos fins comuns, para as quais a vida física a abasteceu com essa bagagem.”… O espírito humano não possui o dom da auto evolução consciente. Como entidade cósmica, requer aperfeiçoar-se, tomando consciência, enquanto evolui, dos conhecimentos que existem na criação. Tal labor requer seu necessário acoplamento com a alma ou ente físico, fato que se produz por imantação da mesma força hereditária que os atrai, e pela participação permanente da consciência. Ambos, espírito e alma, começam assim a percorrer juntos o longo caminho da evolução consciente, completando-se em seu percurso a grande experiência que há de revelar o homem o enigma culminante de sua existência.”… “As duas naturezas, a espiritual e a física, terminam por fundir-se, após uma luta pelo predomínio de uma sobre a outra”. ...
” Resta-nos ainda ressaltar a correspondência direta entre espírito e consciência, a qual se amplia, como dissemos, em razão dos conhecimentos que absorve. Ao ampliar-se, a consciência dá ao espírito oportunidade de manifestar-se, e não só permite captar seu influxo, que insta continuamente o homem a um maior esforço, mas também a experimentar a amplitude que tomando a vida quando começa a ser governada pelo espírito. Tudo o que vive no universo está movido por uma mesma e única fonte de energia. Em pequena dimensão, também o homem conta dentro de si com essa mesma fonte, que se ativa ao pôr-se em contato com a vida universal.. Essa fonte de energia é a consciência, única capaz de mover todo o mecanismo psicológico humano e, com isso, os canais do sentimento, que torna os homens, grandes, abnegados e nobres.”
“ … Convém especificar, para que não fique a menor dúvida, que, embora o espírito individual seja o depositário de todo o mal feito por aquele a quem anima, como o é acerca do bem, sua natureza não se contamina, mas a pesada carga das faltas cometidas o vai imobilizando, até fazê-lo sucumbir por inação; isso acontece quando já se esgotou sua capacidade de resistência. Em verdade esta é a segunda morte, a definitiva.”… “Uma das causas, talvez a principal, da aniquilação do espírito, ou seja, da morte segunda, é a atrofia das faculdades da inteligência, especialmente as de pensar, raciocinar e observar. E o é porque, ao não funcionarem como devem, vão anulando as possibilidades humanas de supervivência, já que fecham as portas do devir do espírito; para isso contribuíram, em sumo grau, as crenças fanáticas e cegas. O homem, acostumado desde criança a buscar tutelas para sua alma, incapacita-se espiritualmente para bastar-se a si mesmo.” … “Nos casos de embrutecimento, o espírito permanece ausente, impossibilitado de toda construção, porque o sistema mental funciona tão defeituosamente que não lhe é possível a menor intervenção na vida do ser. Algo similar acontece naqueles que renunciaram à sua individualidade, para se deixarem absorver pelo número; convertidos em homens-massa, perdem toda possibilidade de receber o menor auxílio do próprio espírito. Esse auxílio se interrompe, com efeito, pois à mente do homem-massa não responde à própria vontade, senão à alheia; obedece tão somente a quem lhe impõe seus ditados, com a ameaça de severas represálias.”
CARLOS B. GONZÁLES PECOTCHE nasceu em Buenos Aires, República Argentina, em 11 de agosto de 1901. Em 1930 criou a Fundação Logosófica com o objetivo de difundir a Logosofia, ciência de sua criação. Faleceu em 04 de abril de 1963.
O pensamento do criador da Logosofia é absolutamente original, isto é, Gonzáles Pecotche não se inspirou em nenhuma fonte.
Tal como o declara num dos últimos capítulos deste livro, ao se estabelecer nele a conexão direta com seu espírito, só se serviu do acervo que este havia acumulado e de sua constante assistência. Eis aí, pois sua fonte e origem de sua sabedoria, que por sua expressa vontade se encontra à disposição daqueles que desejam nutrir-se com os valores que encerra.
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