Crianças
-
Ademir...
- E
daí, Romeu. Há quanto tempo.
- Faleceu
o Padre Ney. Também fazias parte do Coral, não?
- Sim,
éramos crianças.
- Estou
postando uma foto que tiramos com Dom Afonso, logo após a sua
ordenação episcobal em 05 de abril de 1959. Pensei que os padres
professores estavam na fotografia. Mas não estavam. O Padre Ney
também era professor de Francês.
- Muito
legal esta foto. Estamos todos lá. O Paulo Sens, o Speck, o Sérgio,
o César, o Schweitzer, o Moreton, eu ... Ah, a idade... Reconheço
as fotos, mas perco os outros nomes. Sabes, eu fiz de tudo para não
lembrar esta fase da vida. Impossível. A infância não se esquece.
- E
o padre Ney, hein? Nós o admirávamos, mas mesmo como crianças
tínhamos as nossas restrições.
- Lembras-te
que ele bateu no rosto do Leandro, durante um ensaio do Coral? Na
frente de todo mundo? E ele não chorou. Era um menino muito tímido.
Eu gostava dele.
- Lembro
que outro Coral se apresentou no Santuário. Ele cantava diferente.
Cantava “piano” e “forte”, mudava o volume do canto. Eu
adorei. E perguntei porque nós não cantávamos assim.
- O
Padre Ney tinha as suas particularidades. Nós adorávamos o Aleluia
de Händel, mas ele achava que nós da primeira voz não tínhamos
capacidade de alcançar o dó máximo que a música exigia. Não é
verdade? Talvez ele tivesse razão, mas nós queríamos tentar.
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