Meu Amigo Carioca
“Verdadeira
amizade é quando a gente nunca se viu, mas é como se a gente se
conhecesse desde antigamente” diz o ditado.
Há muitos anos eu participava ativamente de fóruns de Religião,
Filosofia e Segunda Guerra Mundial. Do de filosofia fui “expulso”
porque não sabia pensar filosoficamente (?). No de Religião muito
aprendi, principalmente a escrever. No fórum sobre a Segunda Guerra
encontrei um amigo carioca. Daquele amigo em que o papo (virtual, no
caso) flui naturalmente, sem esforço e é só alegria. Ele morava
em Ipanema, no Rio, e tinha uma banda de roque formada por amigos.
Ele amava os alemães e não se conformava que a Alemanha tivesse
perdido a guerra, pois eram superiores em tudo. Ele me fez estudar e
redespertar o interesse pela segunda guerra. Meu livro de cabeceira
já havia sido o “Afrika Korps – As Raposas do Deserto” de
Paull Carell. (edição de 1964). Nós tínhamos uma visão romântica
da guerra. Os uniformes (os alemães, os mais belos segundo ele), os
equipamentos (os capacetes eram tão perfeitos que o seu design
começa a ser imitado depois de 50 anos), as armas (não existiu uma
pistola como a Luger), os tanques, os navios, os submarinos, os
aviões à jato e os navios. Falava-me do Encouraçado de Bolso Graf
Spee. Uma maravilha da tecnologia alemã. Os ingleses eram os maiores
em quantidade, mas em qualidade a sua frota era um lixo. Seu maior
sonho: poder ter sido o comandante do Admiral Graf Spee. Heróis da
guerra? Os alemães. A lista começava com Rommel e chegava a uma
dezena de nomes. Amigos tem esta vantagem, podem falar bobagens e a
gente ainda os admira. Convidou-me a ouvir a sua banda que tocava no
Rio, nos finais de semana. Não cheguei a ouvi-la. Meu AVC chegou
mais cedo. Fiquei três meses sem poder falar com a sensação de que
o cérebro estava rachado e vazava água. Saí do computador e fiquei
freguês da TV cabo. Meu amigo carioca continua morando no meu
coração, mas esqueci o nome dele.
Comentários
Postar um comentário