Epifania no batizado do neto Henrique


O nascimento deste neto é um acontecimento especial na minha vida. Eu pelos registros da minha família, sou muito parecido com o meu avô Francisco (Déa Petza Chic). Todos que conhecem o Henrique dizem que é muito parecido comigo. O DNA da família Pitz aparece com força total no trineto de Francisco. Um alemão lindo como registra um comentário no Face.
A missa do batizado de Henrique foi numa igreja simples na periferia leste da cidade de São Paulo. O painel na parede principal reproduz um Jesus Cristo nordestino. Magnífico. O Pároco estava viajando e o Padre substituto portador de muita vitalidade, alegria, fé e amor fez dela um acontecimento mágico. Um pequeno conjunto musical, mas extremamente eficiente. Uma estrutura com um Coro e uma guitarra elétrica com um “baixo” que abalou as estruturas da minha alma. O Padre culto, inteligente e com o dom da palavra cativava a todos. A sua oratória não se resumia apenas a palavras belas e bem pensadas, mas movia a todos para abraços e beijos numa festa extraordinária. Citou Santo Agostinho para minimizar o sofrimento da família ao falar sobre a morte de paroquianos. No altar levantou Henrique nos seus braços apresentando-o aos presentes, sendo vivamente ovacionado.
Senti que ele era um místico. Um pessoa em que o preconceito não existe. Ele é movido pelo amor, pela alegria e pela Vida. O pecado, a culpa e o castigo não tem espaço para se desenvolver. A Missa voltou a ser uma festa de alegria, amor e fraternidade.
Ao terminar me aproximei:
- A sua celebração foi extraordinária!
- Foi a sua presença que engrandeceu o evento, respondeu.
“Prisioneiro” foi um poema que escrevi há muitos anos, no início do processo de revolução da minha alma. Sim, eu sabia que era prisioneiro, mas não sabia de quem. Agora já sei. A minha mente era prisioneira das regras, dos códigos, dos preconceitos, das leis, da visão dual da realidade, do certo e do errado, do condicionamento terrível a que a alma foi submetida desde criança. E aos poucos, as paredes da prisão foram desmoronando e eu, com a missa do batizado do Henrique, percebi que era, mentalmente, livre. Marcou-me muito a extraordinária acústica da igreja em que os sons tinham uma qualidade excepcional. Os cantos religiosos não agrediam o meu ouvido, pelo contrário, eram absorvidos por todo o corpo e pela alma em qualidade HD. A canção “Deus como tu és grande” é uma canção luterana que eu não conhecia, afinal eu sou católico! Que alegria cantá-la em alto e bom som nesta igreja! Tudo isto minha alma absorveu e as paredes ruíram.
Sonho que sou uma figueira enorme que se quebra e desmorona como um castelo de cartas. A mente criou partidos de religião, política, esporte entre outros e Eu fui levado a escolhê-los para seguir as regras do rebanho. Eu dizia que tinha abandonado a grei, mas como estava enganado. As marcas na alma são gravadas à fogo e é impossível apagá-las. A consciência não irá removê-las, mas pode superá-las.
E aí está o Henrique, uma marca na evolução da minha alma.

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