Meu amigo "nazista"

A memória é construída por partes. É assim que a experiencio nas pequenas coisas. Perco palavras, com muita freqüência porque escrevo. Esqueço, também histórias completas: uma cadelinha de que todos de casa se lembram, por exemplo. Sem dúvida a memória é seletiva. Isto é, o cérebro decide o que vai deletar. Recebo a notícia de que um “amigo” com 77 (?) anos se suicidou. Quantas memórias aparecem, quantas memórias! Eu, por problemas de saúde, havia-me afastado da sua convivência. Mas ele continua vivo na memória. - Meu amigo “nazista” dizia-me, e ria. - Não me leve a mal, é um sentimento meu! Ele na juventude fez muito sucesso com as mulheres: bonito, uma voz aveludada e rico. Empresário do ramo de mármores e pedras, nas horas de folga do trabalho e do convívio social, dedicava-se aos esportes aquáticos. Tinha duas baleeiras de grande porte com as quais havia vencido, na época, competições de volta à Ilha de Santa Catarina. Sua casa foi decorada por um famoso arquiteto, com piscina, cascata de água, muitas plantas e uma escadaria monumental. No auge do sucesso, a segunda mulher (a primeira havia falecido) apresentou-lhe um pedido de divórcio. Sem delongas, afirmou que ela ia morar com o seu namorado. Ele nem imaginava o que estava ocorrendo. Não havia o que discutir. Ela ficou com a metade de todos os seus bens e desapareceu. O jardim interno da sua casa secou... E ele “morreu”. Era católico, mas não suportando mais a solidão e a velhice deu um fim à sua vida. Descanse em paz, Reinert!

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