O SENTIMENTO

Sentir é a palavra. Sentir o clima, o astral, a energia que neste momento permeia o ar, a água, a mata e a praia. A percepção do Belo. O Belo é harmonia.
Segundo Carl Gustav Jung, as emoções e sentimentos são estados comportamentais que geralmente recebem denominações semelhantes, embora haja entre os mesmos diferenças qualitativas.
A emoção é uma reação orgânica desordenada advinda de situações diversas, justamente quando não é possível uma lenta adaptação do organismo. Manifesta-se como ira, ódio, felicidade, alegria, tristeza, medo, ansiedade, etc.
O sentimento é uma função de avaliação pessoal que se manifesta como atração ou rejeição, afeição ou aversão com relação a um objeto, pessoa ou idéia abstrata e que carece das características de uma verdadeira emoção. Poderíamos afirmar que os sentimentos são emoções “polidas” e refinadas formadas pelas relações sociais e pela experiência de vida.
Não podem ser expressos em palavras, não podem ser racionalizados e não se prestam à descrição. Embora os sentimentos sejam inteiramente subjetivos – a forma como se manifestam tem como base um julgamento de valor – o elemento racional nessa função.
O sentimento demonstra em grau máximo a subjetivação do objeto. O sujeito e o objeto entram numa relação tão forte que somente sobra a aceitação ou a recusa.
Ele é capaz de avaliar e tratar uma informação que a razão não registra. "É ele que fundamenta a afirmação do Eu em uma posição ética. Um sentimento é uma realidade tão incontestável quanto a existência de uma idéia, e podemos experienciá-lo exatamente no mesmo grau" afirma Jung.
"Há uma oposição entre pensamento e sentimento", continua Jung. ´Se me oriento pelo pensamento, não posso me orientar, ao mesmo tempo, pelo sentimento, porque o pensamento e o sentimento são duas funções inteiramente distintas. Não podemos negar, também, que o sentimento chega muitas vezes a convicções diferentes daquelas do intelecto, e nem sempre podemos provar que as convicções do sentimento são inferiores àquelas.”
Observamos, pois, que as nossas escolhas, não pertencem somente à razão. O sentimento, entretanto, não é a causa de julgamentos ou decisões emotivas que, muitas vezes, tumultuam a vida. Ele representa a sabedoria formada pela nossa memória consciente e inconsciente, reflete o nosso caráter, o nosso ser.
Estou lendo "Freud, Pensador da Cultura" de Renato Mezan (Brasiliense). Num capítulo intitulado "Diálogo de Surdos" ele trata da relação entre Freud e Jung: "Quem se debruça sobre a correspondência entre Freud e Jung não pode furtar-se à singular impressão de que os dois interlocutores falam línguas diferentes, pensam em comprimentos de ondas antagônicos e padecem de surdez crônica."(pág. 268).
Escrevi uma mensagem intitulada "Pensar e sentir" sobre aqueles que "pensam" e aqueles que "sentem" o mundo. Freud é racionalista - "pensa o mundo" - e vejam o sucesso que faz na nossa civilização. Jung, intuitivo - "sente o mundo" - é desprezado pelos racionalistas.

Eu sou intuitivo e se você for racionalista não "enxergamos" o mundo da mesma forma. Vivemos em mundos diferentes.

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