Saudade de Casa
Os
pequenos pés descalços na geada forte da manhã,
As
saíras multicoloridas no velho pé de ameixa,
O
sabiá branco na laranjeira,
E a
o beija-flor rondando o pé de bergamota.
Cavalgando,
segurado pelo meu pai, no lombo do cavalo,
Caminhando
com meu pai, de lanterna à pilha, de madrugada, em noite de lua
cheia,
Meus
pais falando em alemão: Ewigkeit, Heimat, Jesus.
Os
gritos do porco ao ser abatido,
O
silêncio do boi ao ser morto.
A
carruagem e seus apetrechos de metal amarelo.
O
silêncio do meu pai,
A
esteira de palha na sala, no verão.
A
água fresca da fonte,
E a
melancia colocada em água fria.
Aos
domingos, em pé entre os pés do meu pai, ganhando balas.
A
galinha ensopada,
Auxiliando
a mãe a fazer os doces de Natal.
A
cerveja quente – mijo de cavalo,
O
vinho quente desconhecido, a uva na parreira.
Uva
e melância uma mistura mortal.
As
trovoadas de final de tarde e os rompantes do vento.
As
capinas de roça de cana,
A
batida das espigas de arroz e do casulo do feijão-preto ao lado da
casa,
O
café moído com açúcar,
O
café com farinha de mandioca - “der verücta farin”.
A
primeira confissão e a relação dos nomes feios chamados para a
irmã.
As
caminhadas, descalço, na estrada cheia de lama para a missa,
A
missa e o canto do coral da matriz.
Colocado
na primeira fila próximo ao altar,
- Não
olhes para traz! Observado pela mãe.
Saudade
de casa!

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