Tu Não Vens?

Tu não vens? …. mas já reservei uma cabana na Bara da Lagoa, do lado do Rio Vermelho, para o mês de dezembro. Janeiro é muito quente. Na Barra, perto da praia, com muitas árvores e com o vento nordeste, de madrugada podes ouvir a batida das ondas, na maré enchente. Podes levantar-te cedo e ver o nascer do sol, surgindo de dentro do mar. Pela emoção, teus olhos estarão brilhando. O Sandro te levará os mariscos (moluscos) que colherá das pedra. Te levará também alguns marimbás (peixes) que são abundantes. Já providenciei o velho barreiro e limões para a caipirinha e a imprescindível cerveja gelada. Tu não vens? Mas a cabana está mobiliada
É verdade que os momentos de magia do passado não poderão ser recriados. Como diz o poeta, a vida não anda para traz, mas só para frente. Estás na Colombia e já não nos falamos há décadas. A Ilha também mudou. Já não saio há anos e dizem que as praias está desaparecendo. Isto é, a areia está sumindo. Espero que a água continue especial como sempre foi.
Lembras-te daquela fita de K-7 em que me apresentaste o Karl Orff com a Carmina Buruna? Agora estou apaixonado pelas músicas de Mahler. Poderíamos ouvi-las juntos. Mas dizes que não vens. Penso... Sim, talvez, já estejas morto, nos conhecemos há 40 anos. Mas na minha memória continuas muito vivo. Um grande abraço!

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