A Evolução da Consciência. Uma experiência pessoal
Introdução
Darwin
desenvolveu uma teoria científica da evolução biológica. Antes
dele, já era amplamente aceita pelos filósofos a ideia de que
havia uma evolução da consciência humana.
Se
por um lado, o homem, com a sua inteligência, promove o progresso
científico e tecnológico, por outro, há o desenvolvimento da
consciência. Não há uma relação entre um e outro, pois são
processos distintos. O desenvolvimento científico é racional,
lógico, objetivo enquanto o desenvolvimento da consciência é um
processo subjetivo. Na
evolução cultural, afirma
Oliver Sacks,
qualquer coisa que se invente ou aprenda ou descubra, imediatamente
se acumula e é passada adiante, é um poderoso mecanismo cumulativo
que não existe na natureza. Na natureza, quando uma espécie
desenvolve alguma coisa, não pode transferi-la para mais ninguém;
cada espécie é a sua própria entidade singular. Há interação,
mas nunca amalgamação, ao passo que na cultura humana você tem
essa complexa reticulação. Então é por essas duas razões que a
herança cumulativa de conhecimento e tecnologia e sua propriedade
reticular de descoberta e invenção, que a evolução cultural é
tão rápida. A
evolução da consciência é semelhante à evolução da natureza.
Lenta, gradual e individual. O desenvolvimento científico e
tecnológico é cumulativo e coletivo e, por isso, o seu ritmo é
veloz. Estes conhecimentos e técnicas podem ser transferidos para
toda a humanidade e para as gerações futuras de forma pronta e
acabada, ao passo que a consciência é um saber que não pode ser
transferido. Enquanto aquela pode ser analisada cientificamente, esta
representa um processo subjetivo, uma experiência, um saber que não
pode ser pesado, medido, testado. Há, portanto no ser humano, além
da evolução biológica, um processo de evolução da consciência
que se processa a partir da experiência direta, da observação e do
desenvolvimento natural da sensibilidade e da intuição.
Os
sintomas desse despertar, e que geralmente tem início com a meia
idade, são uma angústia indefinida, uma depressão sem causas
aparentes que, com o decorrer dos anos pode transforma-se num
sofrimento intenso: a paixão da alma (passio
animi - Jung ).
Nem
todos vivenciam de maneira consciente essas mudanças psíquicas.
Alguns, gradativamente, se adaptam a uma outra perspectiva de vida e,
dificilmente, dão-se conta das mudanças internas e vivenciam este
período sem maiores dificuldades. Outros passam por uma crise
existencial, com questionamentos sobre o significado da vida e o
propósito de suas atividades. Num dos extremos, estão aqueles que
têm certeza de que se conduzem corretamente através da vida, e que
têm ideais e princípios corretos. Estão certos de que estas
convicções pessoais devem ter aplicação geral. A rigidez de
idéias com referência a si mesmos e aos outros, e a tendência a
encará-las como incontestáveis, apesar de todo o processo evolutivo
do universo, podem levar a um padrão quase inflexível de pensamento
e comportamento. No outro extremo estão os que entram num período
conturbado de sentimentos e ansiedade indefinidos. Um novo sentimento
de tensão relativo a sua própria personalidade dará uma sensação
de insatisfação, de vazio e de não-preenchimento. Este processo
pode levar a um desequilíbrio psíquico. Ocorre uma desestruturação
da personalidade com o questionamento dos valores sociais, morais e
religiosos. Muitos são levados a pedir ajuda de psicólogos e
psiquiatras que, geralmente, diagnosticam uma doença mental. A
medicação e a psicoterapia podem despertá-lo para o processo que
está vivenciando. Se ele não despertar, o seu futuro está
irremediavelmente associado aos doentes mentais. Se despertar, tantas
obscuridades são esclarecidas que toda a personalidade fica
iluminada e o consciente ganha, infalivelmente, em amplitude e
profundidade.
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