O ENCONTRO COM LÚCIFER
Quando éramos crianças e adolescentes como estas histórias nos
fascinavam e habitavam o nosso imaginário, não é verdade? Quanto
sofremos pensando que poderíamos ir para o inferno. Mas felizmente
sempre havia uma saída: depois de cometer o pecado bastava contar
para o padre, arrepender-se e pronto, o céu já estava garantido.
Legal aquele tempo, não?
Mas nós crescemos, fomos trabalhar, casamos, tivemos filhos, sempre
frequentando a igreja com a nossa família, amigos, vizinhos e a
vida com alguns leves tropeços ia bem, obrigado. Para a grande
maioria que teve educação religiosa, religião é uma coisa que não
se discute mais, afinal já está tudo resolvido, esclarecido,
definido e na vida, diariamente, o importante é reforçar sempre a
fé em Deus, e seguir a máxima de Santo Agostinho de que “se não
podes entender, crê para que entendas; a fé vai na frente, o
intelecto vai atrás”.
Há muitos outros, inclusive aqueles que se dizem ateus, mas em
situações de aperto, clamam pela ajuda Dele. Quase todos,
entretanto, dedicam-se de tal forma ao trabalho, à família, aos
amigos, à rotina e ao lazer que não sobra tempo para mais nada.
Será que há outros? Sim, parece que ainda há uns poucos
“diferentes”.
O inconsciente forma o mundo escuro, sombrio, reprimido, escondido e
desconhecido da alma (psique). Lá estão encarcerados pelo ego todos os
medos, todos os demônios, tudo o que é proibido pela tradição,
pela moral, pela educação e pela religião. Ali está o outro lado
do meu “eu” que o ego me nega o conhecimento e que ele chama de
Mal, pois considera-se o Bem; não devo conhecê-lo sob pena de ser
tragado, de ser dominado pelo Diabo e sofrer a danação eterna, de
acordo com os guias religiosos e de todo o rebanho que os segue.
Mas há, também Lúcifer que alguns identificam como Diabo, mas de acordo com o próprio nome, é outro personagem, o portador da luz do conhecimento.
Mas há, também Lúcifer que alguns identificam como Diabo, mas de acordo com o próprio nome, é outro personagem, o portador da luz do conhecimento.
No inconsciente mora o eu verdadeiro, a centelha divina, a força
que trava uma luta de morte com o Ego e o arrasta para esse mundo
proibido e desconhecido. O Ego resiste, luta, pede ajuda, socorro,
mas os seus já não podem auxiliá-lo, pois está entrando em outra
freqüência, em outro mundo. Lúcifer, o Portador da Luz, auxilia
discretamente a alma (psique), porque sabe do medo terrível dela do desconhecido,
dos “infernos”. Ela luta desesperadamente contra a morte do Ego porque este é o
mundo da sua família e dos seus amigos.
- Nada temas, diz Lúcifer, todos tem a sua hora. Não lutes contra
ti mesma, contra a tua natureza. Esquece-te de tudo o que aprendeste
como verdadeiro e certo porque aquelas verdades somente servem para
aquele mundo e são necessárias para a sobrevivência nele. Não é
a morte física que te levará ao céu ou ao inferno. É a morte da
tua ignorância, dos teus apegos, do teu egoísmo que te levará ao
encontro de ti mesmo. Este mergulho nos “infernos” vai tornar-te
“um” e ressurgirás para uma nova existência. Vais renascer
purificada pelo sofrimento desta união do “eu” consciente com o
inconsciente, da energia positiva (masculino) com a energia negativa
(feminina) e te tornarás um ser bissexuado, integral, que basta a si
mesmo. Conhecerás a verdade e a verdade te libertará. E, juntos com
outros seres de luz, continuarás evoluindo pelos campos infinitos
da existência.
Exausta e confusa a alma entrega-se ao fluxo das energias da vida.
Lúcifer, do latim luci-feros (o portador da luz). O mais belo dos anjos que se rebelaram contra Deus. No cristianismo, Lúcifer está associado ao conceito de demônio. Para certas escolas esotéricas, como a teosofia, a figura de Lúcifer, está revestida de complexo e importante conteúdo simbólico: é ele quem, desobedecendo às ordens de Deus, confere aos homens o conhecimento, retirando-os assim do estado mítico de inocência em que viviam (simbologia do Paraíso). Na tradição judaica , foi Lúcifer quem abriu os olhos do autômato criado por Jeová, conferindo-lhe assim a imortalidade espiritual. O simbolismo de Lúcifer pode ser assimilado ao do herói grego Prometeu, que invadiu o céu para roubar o fogo aos deuses e trazê-lo aos homens.(Planeta Pesquisa. Março 1984).
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