O ENCONTRO COM LÚCIFER

A tradição, a religião e a educação têm por finalidade principal ensinar-nos a conviver com estes dois mundos definidos como o mundo do Bem e o mundo do Mal. Nós cristãos aprendemos a dividi-lo com bastante clareza e qualquer criança o sabe de cor e salteado, é o reino de Deus e o reino do Diabo. Mas na nossa ignorância nós os projetamos e afirmamos que estes dois reinos estão fora de nós. A religião faz auto-de-fé que depois da nossa morte o nosso destino será o céu (felicidade eterna) ou inferno (sofrimento eterno), pois é assim que denominamos aqueles reinos. A religião nos ensina também que o Diabo disputa as nossas almas com Deus. A disputa é muito grande e porisso devemos ser cautelosos porque o Diabo usa muitas artimanhas para nos enganar e, quando menos esperamos, puft!, estamos em suas garras. Deus, no seu infinito amor e misericórdia, também não é tão bonzinho não, se não cumprirmos direitinho os seus mandamentos podemos estar certos, seremos entregues ao Diabo para sermos queimados vivos no inferno. Alertam também os guias religiosos que as estradas que levam para lá são enganosas, pois a que dá acesso ao inferno é um declive cheio de belezas e prazeres físicos, ao passo que aquela que dá acesso ao céu é um aclive tortuoso, cheio de pedras e espinhos, que exige muito sacrifício, força de vontade, luta e no final teremos a recompensa, a glória, o céu, com todas as suas regalias.
Quando éramos crianças e adolescentes como estas histórias nos fascinavam e habitavam o nosso imaginário, não é verdade? Quanto sofremos pensando que poderíamos ir para o inferno. Mas felizmente sempre havia uma saída: depois de cometer o pecado bastava contar para o padre, arrepender-se e pronto, o céu já estava garantido. Legal aquele tempo, não?
Mas nós crescemos, fomos trabalhar, casamos, tivemos filhos, sempre frequentando a igreja com a nossa família, amigos, vizinhos e a vida com alguns leves tropeços ia bem, obrigado. Para a grande maioria que teve educação religiosa, religião é uma coisa que não se discute mais, afinal já está tudo resolvido, esclarecido, definido e na vida, diariamente, o importante é reforçar sempre a fé em Deus, e seguir a máxima de Santo Agostinho de que “se não podes entender, crê para que entendas; a fé vai na frente, o intelecto vai atrás”.
Há muitos outros, inclusive aqueles que se dizem ateus, mas em situações de aperto, clamam pela ajuda Dele. Quase todos, entretanto, dedicam-se de tal forma ao trabalho, à família, aos amigos, à rotina e ao lazer que não sobra tempo para mais nada.
Será que há outros? Sim, parece que ainda há uns poucos “diferentes”.
O inconsciente forma o mundo escuro, sombrio, reprimido, escondido e desconhecido da alma (psique). Lá estão encarcerados pelo ego todos os medos, todos os demônios, tudo o que é proibido pela tradição, pela moral, pela educação e pela religião. Ali está o outro lado do meu “eu” que o ego me nega o conhecimento e que ele chama de Mal, pois considera-se o Bem; não devo conhecê-lo sob pena de ser tragado, de ser dominado pelo Diabo e sofrer a danação eterna, de acordo com os guias religiosos e de todo o rebanho que os segue.
Mas há, também Lúcifer que alguns identificam como Diabo, mas de acordo com o próprio nome, é outro personagem, o portador da luz do conhecimento.
No inconsciente mora o eu verdadeiro, a centelha divina, a força que trava uma luta de morte com o Ego e o arrasta para esse mundo proibido e desconhecido. O Ego resiste, luta, pede ajuda, socorro, mas os seus já não podem auxiliá-lo, pois está entrando em outra freqüência, em outro mundo. Lúcifer, o Portador da Luz, auxilia discretamente a alma (psique), porque sabe do medo terrível dela do desconhecido, dos “infernos”. Ela luta desesperadamente contra a morte do Ego porque este é o mundo da sua família e dos seus amigos.
- Nada temas, diz Lúcifer, todos tem a sua hora. Não lutes contra ti mesma, contra a tua natureza. Esquece-te de tudo o que aprendeste como verdadeiro e certo porque aquelas verdades somente servem para aquele mundo e são necessárias para a sobrevivência nele. Não é a morte física que te levará ao céu ou ao inferno. É a morte da tua ignorância, dos teus apegos, do teu egoísmo que te levará ao encontro de ti mesmo. Este mergulho nos “infernos” vai tornar-te “um” e ressurgirás para uma nova existência. Vais renascer purificada pelo sofrimento desta união do “eu” consciente com o inconsciente, da energia positiva (masculino) com a energia negativa (feminina) e te tornarás um ser bissexuado, integral, que basta a si mesmo. Conhecerás a verdade e a verdade te libertará. E, juntos com outros seres de luz, continuarás evoluindo pelos campos infinitos da existência.
Exausta e confusa a alma entrega-se ao fluxo das energias da vida.


Comentários

  1. Lúcifer, do latim luci-feros (o portador da luz). O mais belo dos anjos que se rebelaram contra Deus. No cristianismo, Lúcifer está associado ao conceito de demônio. Para certas escolas esotéricas, como a teosofia, a figura de Lúcifer, está revestida de complexo e importante conteúdo simbólico: é ele quem, desobedecendo às ordens de Deus, confere aos homens o conhecimento, retirando-os assim do estado mítico de inocência em que viviam (simbologia do Paraíso). Na tradição judaica , foi Lúcifer quem abriu os olhos do autômato criado por Jeová, conferindo-lhe assim a imortalidade espiritual. O simbolismo de Lúcifer pode ser assimilado ao do herói grego Prometeu, que invadiu o céu para roubar o fogo aos deuses e trazê-lo aos homens.(Planeta Pesquisa. Março 1984).

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