O Eu Verdadeiro
Estou
completando o meu processo de individuação que levou 35 anos. Há
tempos eu me sentia um adolescente, mas hoje o meu Eu verdadeiro tem a
idade desse período.
Nos
últimos tempos passei um período conturbado. Muita insegurança e
dúvidas sobre a minha vida. O autoconhecimento é um processo
fantástico. Mas tendo como Mestre C. G. Jung e muito estudo, o
processo torna-se mais compreensível.
Eu
percebia a presença de uma força muito forte que me acompanhava,
inclusive com forte conteúdo moral. Pensei inicialmente no Espírito,
mas o descartei porque entendi que é uma crença. Imaginei que fosse
a intuição que é forte, mas também não podia ser porque ela é
somente um insight. O Ego continuava a me perturbar, embora eu o
tivesse rebaixado à sua condição artificial (criado pelos outros)
há muitos anos. Só então, caiu a ficha! É o meu Eu verdadeiro!
O
Ego e o Eu verdadeiro entraram em guerra explícita há 35 anos. Na
formação do Ego entrou a história de minha mãe. Então a história
já vem desde o nascimento. Acusa-me o Ego que a minha semente é do
pai biológico, mas ela cresceu no ventre materno embalado pelo amor
da minha mãe pela sua paixão adolescente. Inclusive depois do
nascimento, o bebê e a criança recebiam em palavras essas
manifestações desse amor. Para o Ego o Romeu era um f.d.p. O Romeu,
introvertido e sensível, baixava a cabeça e ficava encolhido
perante as suas agressões.
Mas
a vida é mais forte que o Ego. Na meia idade promoveu uma revolução,
a crise existencial. Os instintos revoltaram-se e apoiaram o Eu
verdadeiro. Entre mortos e feridos, como não poderia deixar de ser,
o Eu verdadeiro foi o vencedor. O Ego continua em um nível inferior.
Ele entra na parada quando outros Egos me agridem.
No
processo de individuação, penso que juntei todos os meus pedaços(?)
e agora sou eu-mesmo, o Eu verdadeiro. Um ser inteiro que basta a si
mesmo. Penso que a degradação física provocada pela idade, no meu
caso, não atinge somente o corpo físico mas também a consciência
que é memória. Mas estou feliz porque a minha natureza me levou ao
máximo possível como ser humano. Permitiu-me ter consciência do
Todo o que é um privilégio. Espero (olha a esperança!) escrever o
livro da minha vida.
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