Vontade de chegar
Na
luta entre a multiplicidade de forças de sua natureza animal e
humana, armazenados por milhares de gerações, está o instinto e a
alma (psique), dois pólos opostos, mas que em sua essência são
faces da mesma individualidade. A alma e o instinto são autônomos,
cada um segundo sua natureza e os dois limitam em igual medida o
campo de aplicação da vontade. Cabe ao Eu, pela razão e pela
experiência de vida, consciente da lei cósmica da evolução,
conciliar os inconciliáveis porque segundo a doutrina esotérica,
tudo é dual; tudo tem dois pólos; tudo tem seu par de opostos; os
antagônicos e os semelhantes são a mesma coisa; os opostos são
idênticos em sua natureza, mas diferentes em grau; os extremos se
tocam; todas as verdades são semiverdades e todos os paradoxos podem
reconciliar-se.
Cada ser humano tem um caminho próprio, individual para
desenvolver a sua natureza. Este desenvolvimento é natural. O que
acontece a uma pessoa é característico dessa pessoa. Uma pessoa
representa um modelo onde todas as peças encaixam umas nas outras.
Uma a uma, à medida que a vida decorre, ocupam o seu lugar, de
acordo com um desígnio predestinado. (Jung.)
Os buscadores não se satisfazem com a fé cega, a
crença religiosa ou os argumentos da razão, eles precisam ir além.
É pela auto-observação que o homem começa a perceber
que há outros mundos, outras realidade fora das paredes que
construiu ao seu redor. Cada ruído cada centelha de luz, cada
sensação pode conter uma lição, pois as verdades não são
reveladas por raios e trovões. É nas pequenas coisas que se
descobre o infinito. O espírito universal comunica-se conosco, se
assim o permitirmos.
A auto-observação nos torna testemunhas e
participantes dos processos que se desenvolvem em nossa volta. Os
mistérios da vida começam a perder a sua obscuridade para
revelarem-se naturais.
Aos poucos se desenvolve a intuição, uma idéia
súbita, uma percepção cognitiva que comprime anos de experiência
e aprendizado num clarão instantâneo. Informações conscientes e
inconscientes aglutinam-se para formar uma idéia, um conceito, uma
solução para dado problema.
O conhecimento está disponível, basta procurá-lo. Nós
temos a capacidade de aprender, isto é, de despertar, de tomar
consciência. Neste processo usamos os ensinamentos de todos os
mestres e sábios que se adaptam à nossa realidade pessoal. Não
elegemos autoridades, não seguimos pessoas, pois o nosso mestre está
dentro de nós. Há aqueles, no entanto, que nada buscam, nada
procuram, simplesmente vivem e não sentem essa pulsão interior
incapaz de ser contida. Entretanto, afirma a lei cósmica da evolução
que tudo tem o seu tempo e cada coisa a sua hora.
Sim,
o que nos move é a vontade de chegar. Vontade que não sabemos se é
privilégio ou castigo, mas que nos arrasta para o infinito
desconhecido.
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