O Observador é a Consciência
"Existem três camadas na existência. Uma camada é objetiva, é o
mundo objetivo; seus sentidos transmitem tudo o que está a sua volta
- seus olhos vêem, seus ouvidos ouvem, suas mãos tocam. O mundo
objetivo é a primeira camada da existência e, se você estiver
envolvido por ela, permanecerá satisfeito com a mais superficial. Há
uma segunda camada em seu interior, a camada da mente: pensamentos,
emoções, amor, raiva, sentimentos. A primeira camada é comum - se
eu tiver uma pedra na minha mão você será capaz de vê-la - ela é
um objeto comum a todos. Mas ninguém pode ver o que está dentro da
mente.
A camada externa, a primeira camada, a camada da superfície cria a
ciência. A segunda camada, a dos pensamentos e sentimentos, cria a
filosofia, a poesia. Mas isto é tudo? Matéria e mente? Se isso
fosse tudo, você não poderia ficar centrado porque a mente é
sempre um fluxo. Não tem nenhum centro: ontem você teve
determinados pensamentos, hoje tem outros, amanhã terá outros - é
como um rio, não tem um centro em si. Na mente, não se pode
encontrar qualquer centro: os pensamentos mudam os sentimentos mudam;
há um fluxo. Mas há uma terceira camada, mais profunda, o mundo da
religião, do testemunho - daquele que observa os pensamentos,
daquele que observa os objetos. Esse observador é único: não
existem dois. Ao olhar para uma casa com os olhos abertos ou
fechados, o observador é o mesmo; se está olhando para a raiva ou o
amor, se está triste ou alegre, se a vida se transformou em poesia
ou pesadelo, isso não faz nenhuma diferença - aquele que olha
permanece o mesmo, a testemunha permanece a mesma. A testemunha é o
único centro, essa testemunha é a consciência.
Na atenção e auto-observação o observador afasta-se do objeto
observado. Os pensamentos são um caos e luta para afastá-los
somente cria mais pensamentos. Saímos deste círculo vicioso, ao
iniciarmos um processo de observação sem luta, sem esforço, um
deixar fluir... Então, de repente, o “eu” (centro da
consciência) estará além, pairando além de si mesmo. Os
pensamentos estão dentro mas o “eu” não está. O observador
estará fora, além da coisa observada. O observador sempre está no
alto da montanha e todas as coisas se movem ao seu redor. Observar
significa estar fora. Este fenômeno é consciência. O segredo é:
atenção. A consciência não está dentro da cabeça. A testemunha
está além. Ela está por todo o corpo e além do corpo. O “eu”
não precisa sair porque nunca esteve dentro. Enquanto estiver
observando ele não julga, avalia ou condena, apenas observa... Ele
não é um juiz - apenas um observador. E uma vez “sabendo” que
está fora, pode permanecer fora. Assim começa a ter a apercepção
do todo. (Bhagwan Shree Rajneesh)
Comentários
Postar um comentário