Memórias de Adriano - O Vinho
MEMÓRIAS DE ADRIANO
Marguerite Yourcenar
Editora Record – 1995
. “Pequena alma flutuante
Hóspede e companheira do meu corpo,
Vais descer aos lugares pálidos duros nus
Onde deverás renunciar aos jogos de outrora...”
P. Aelius Hadrianus, Imp.
“O vinho inicia-nos nos mistérios vulcânicos do solo e nas riquezas minerais ocultas. Uma taça de Samos¹ degustada ao meio-dia, em pleno sol, ou ao contrário, saboreada numa noite de inverno, num estado de fadiga tal que nos permita sentir no fundo do dia seu fluxo quente, sua abrasadora dispersão ao longo das artérias, é uma sensação quase sagrada e, por vezes, demasiado forte para um cérebro humano. Não reencontro essa sensação no mesmo estado de pureza nos vinhos numerados das adegas de Roma, e impacienta-me o pedantismo dos grandes conhecedores de vinhos. Mais primitivamente ainda, a água bebida na concha da mão ou na própria fonte faz correr em nós o sal mais secreto da terra e toda a chuva do céu. A própria água é de uma delícia da qual o doente que sou agora não deve usar senão com parcimônia. Não importa, mesmo na agonia e ainda que de mistura com o amargor das últimas poções, tentarei sentir sua fresca insipidez nos meus lábios.” (Pág. 19)
Comprei este livro extraordinário de um sebo, pela internet. Agora os cupins estão destruindo os livros do meu escritório e ele é um dos favoritos.
________________
¹ – Eu conheci o vinho branco Samos num restaurante de Joinville em 1964 , preferido de um militar alemão da unidade de tanques, sobrevivente da 2a. Guerra Mundial.
Ele era fabricado no sul de Santa Catarina e o nome, com origem na Grécia, por motivo de direito autoral, foi substituído por outro do qual não me lembro o nome.
Marguerite Yourcenar
Editora Record – 1995
. “Pequena alma flutuante
Hóspede e companheira do meu corpo,
Vais descer aos lugares pálidos duros nus
Onde deverás renunciar aos jogos de outrora...”
P. Aelius Hadrianus, Imp.
“O vinho inicia-nos nos mistérios vulcânicos do solo e nas riquezas minerais ocultas. Uma taça de Samos¹ degustada ao meio-dia, em pleno sol, ou ao contrário, saboreada numa noite de inverno, num estado de fadiga tal que nos permita sentir no fundo do dia seu fluxo quente, sua abrasadora dispersão ao longo das artérias, é uma sensação quase sagrada e, por vezes, demasiado forte para um cérebro humano. Não reencontro essa sensação no mesmo estado de pureza nos vinhos numerados das adegas de Roma, e impacienta-me o pedantismo dos grandes conhecedores de vinhos. Mais primitivamente ainda, a água bebida na concha da mão ou na própria fonte faz correr em nós o sal mais secreto da terra e toda a chuva do céu. A própria água é de uma delícia da qual o doente que sou agora não deve usar senão com parcimônia. Não importa, mesmo na agonia e ainda que de mistura com o amargor das últimas poções, tentarei sentir sua fresca insipidez nos meus lábios.” (Pág. 19)
Comprei este livro extraordinário de um sebo, pela internet. Agora os cupins estão destruindo os livros do meu escritório e ele é um dos favoritos.
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¹ – Eu conheci o vinho branco Samos num restaurante de Joinville em 1964 , preferido de um militar alemão da unidade de tanques, sobrevivente da 2a. Guerra Mundial.
Ele era fabricado no sul de Santa Catarina e o nome, com origem na Grécia, por motivo de direito autoral, foi substituído por outro do qual não me lembro o nome.
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