Um Pai Amigo

Na minha vida identifico duas passagens que chamo de crises existenciais: a adolescência e a meia-idade. São revoluções físicas e mentais que transformam o ser.
Na puberdade, as células sexuais levam para um novo mundo. Na meia-idade a natureza individual exige mudanças: viver o que deixaste de experimentar por força da formação do ego.
Os Padres do internato, apesar de receberem confissões do povo em geral, não conheciam a vida. Parece que só entendiam de pecado e só liam a Bíblia e a Imitação de Cristo.
Nestes tempos turbulentos, nesta revolução em que todos os valores são colocados em cheque, eu preciso de alguém que me oriente, me mostre caminhos na profunda escuridão da ignorância. É um renascimento. Preciso segurar a mão de um pai, alguém mais velho e experiente, e sentir no calor de sua mão, carinho e amor. Eu não o encontro. Ele não existe. Estou perdido. Encontro o poema de Von Goethe: - “E agora estou perdido! Devo parar? - Não, se paras, estás perdido.” Clamo aos céus, mas não tenho resposta. A angústia me toma por inteiro. Estou só. Começo a fazer poesia para passar o tempo. Procuro ajuda de psicólogos, psiquiatras, terapeutas e grupos de auto ajuda. Não, eles não me compreendem. Mas ajudam a mostrar que estou preso nas malhas das escolhas que eu mesmo fiz. O tempo, sim o tempo é o melhor remédio porque é nele que acontece a evolução.
Continuo a procurar um pai amigo, mas ele não existe porque a minha natureza individual é única. Eu, eu-mesmo, preciso meter a cara e encontrar os caminhos. É um trabalho individual e não coletivo. No meu interior está a resposta. Não é única, são muitas.
É... a vida é assim mesmo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Meu avô - Francisco Pitz – “Dea Petza Chic”

Seres extraterrestres

Condicionamento do cérebro