A Roda d´Água
Consta que a roda d´água foi descoberta há 4000 anos e tem muitas e preciosas utilizações.
¨O Monjolo e a Roda D´Água” foi o primeiro livro de leitura no meu Primário. O livro era uma edição de São Paulo-SP, e por muito tempo eu não sabia o que era Monjolo, pois o livro não o identificava. Monjolo, para quem ainda não sabe, é um pilão destinado ao esmagamento de grãos.
O Padre Raulino Reitz (https://pt.wikipedia.org/wiki/Raulino_Reitz), que não tinha freios na língua, foi meu extraordinário professor de Geografia no Seminário. Na porta do seu quarto, amontoavam-se cartas, folhetos, caixas e livros mostrando a sua personalidade mundial. Naquela época fazia as suas viagens de estudo e pesquisa patrocinado por instituições científicas e religiosas, inclusive fazendo viagens à Alemanha para conhecer as origens da imigração alemã de Santa Catarina. Lembro-me que no seu livro, registrou imagens das famílias que fisicamente eram muito parecidas com os colonos daqui, inclusive as roças que eles plantavam.
Escreveu Raulino Reitz que a roda d´água não era conhecida pelos imigrantes açorianos daqui da ilha de Santa Catarina. Para moer a cana-de-açúcar usavam bois para girar as moendas. Mas, privilegiadamente, as propriedades dos açorianos ficavam em planícies férteis e eles foram os primeiros a usar a roda d´água em Portugal.
O engenho era uma fábrica sofisticada que dependia da força da roda d´água ou de bois, para moer a cana, descascar e moer a mandioca e moer o milho. Mas precisava de muita água que era transferida para o engenho; ou a propriedade tinha a sorte de ter uma cachoeira de rio ou riacho, ou uma represa ou “tanque” que acumulava água para meia, uma hora ou duas, ou mais de funcionamento da roda. Na propriedade do imigrante Pütz, no Louro, havia um pequeno córrego que descia o morro, suficiente para moer, mesmo em pequena escala, durante todo o dia. Um sortudo.
Na propriedade comprado pelo Chico Pütz no Campo de Demonstração, (onde nós nascemos) era o “tanque” que armazenava a água para o engenho. O seu suprimento era feito por um olho de água que talvez levasse uma semana até o preenchimento da represa. Havia sido feito uma canalização de outro olho de água para aumentar o suprimento, mas, de qualquer forma, a represa somente atendia à demanda de água, por no máximo duas horas de funcionamento. Foi um investimento muito grande em mão de obra: construir a represa e abrir uma vala de aproximadamente 300 metros para chegar ao engenho, construir a canalização de outro córrego, construir as caixas de madeira de acesso ao engenho, a roda d´água e colocá-las no lugar.
Para nós, crianças, nada disso tinha importância, pois para pescar e passear de canoa era o suficiente. Lembremo-nos que era proibido tomar banho no tanque, um costume milenar imposto pela Igreja.
Mamãe rejubilava-se por ter feito ali uma grande pescaria de carás e traíras. A técnica da pescaria era diferente naquela época: ao sentir o peixe beliscando, o caniço era puxado violentamente e o peixe jogado na grama.
Observem que o que escrevo representam memórias de infância e que talvez não representem a verdade.
¨O Monjolo e a Roda D´Água” foi o primeiro livro de leitura no meu Primário. O livro era uma edição de São Paulo-SP, e por muito tempo eu não sabia o que era Monjolo, pois o livro não o identificava. Monjolo, para quem ainda não sabe, é um pilão destinado ao esmagamento de grãos.
O Padre Raulino Reitz (https://pt.wikipedia.org/wiki/Raulino_Reitz), que não tinha freios na língua, foi meu extraordinário professor de Geografia no Seminário. Na porta do seu quarto, amontoavam-se cartas, folhetos, caixas e livros mostrando a sua personalidade mundial. Naquela época fazia as suas viagens de estudo e pesquisa patrocinado por instituições científicas e religiosas, inclusive fazendo viagens à Alemanha para conhecer as origens da imigração alemã de Santa Catarina. Lembro-me que no seu livro, registrou imagens das famílias que fisicamente eram muito parecidas com os colonos daqui, inclusive as roças que eles plantavam.
Escreveu Raulino Reitz que a roda d´água não era conhecida pelos imigrantes açorianos daqui da ilha de Santa Catarina. Para moer a cana-de-açúcar usavam bois para girar as moendas. Mas, privilegiadamente, as propriedades dos açorianos ficavam em planícies férteis e eles foram os primeiros a usar a roda d´água em Portugal.
O engenho era uma fábrica sofisticada que dependia da força da roda d´água ou de bois, para moer a cana, descascar e moer a mandioca e moer o milho. Mas precisava de muita água que era transferida para o engenho; ou a propriedade tinha a sorte de ter uma cachoeira de rio ou riacho, ou uma represa ou “tanque” que acumulava água para meia, uma hora ou duas, ou mais de funcionamento da roda. Na propriedade do imigrante Pütz, no Louro, havia um pequeno córrego que descia o morro, suficiente para moer, mesmo em pequena escala, durante todo o dia. Um sortudo.
Na propriedade comprado pelo Chico Pütz no Campo de Demonstração, (onde nós nascemos) era o “tanque” que armazenava a água para o engenho. O seu suprimento era feito por um olho de água que talvez levasse uma semana até o preenchimento da represa. Havia sido feito uma canalização de outro olho de água para aumentar o suprimento, mas, de qualquer forma, a represa somente atendia à demanda de água, por no máximo duas horas de funcionamento. Foi um investimento muito grande em mão de obra: construir a represa e abrir uma vala de aproximadamente 300 metros para chegar ao engenho, construir a canalização de outro córrego, construir as caixas de madeira de acesso ao engenho, a roda d´água e colocá-las no lugar.
Para nós, crianças, nada disso tinha importância, pois para pescar e passear de canoa era o suficiente. Lembremo-nos que era proibido tomar banho no tanque, um costume milenar imposto pela Igreja.
Mamãe rejubilava-se por ter feito ali uma grande pescaria de carás e traíras. A técnica da pescaria era diferente naquela época: ao sentir o peixe beliscando, o caniço era puxado violentamente e o peixe jogado na grama.
Observem que o que escrevo representam memórias de infância e que talvez não representem a verdade.
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