Autoconhecimento e as leis da vida

“O homem é uma história que está acontecendo. E é justamente o fato de ele ser uma história que está acontecendo que vai fundar o conceito de Dasein. Dasein é a idéia que Heidegger tem de ser humano, baseado nesta condição cuja identidade é a própria história. É uma visão muito peculiar de homem, por ser diferente das visões tradicionais. Ela situa o homem num comprometimento com sua identidade como um processo em construção. Então, o homem não tem uma identidade, ele passa a sua vida construindo a pessoa que finalmente acaba sendo, e só acaba sendo no momento que ele morre.”
O homem está numa busca ordenada pela sua natureza para o conhecimento de si mesmo. Na meia idade, entre os 35 e 45 anos, em alguns indivíduos, a alma sofre uma transformação provocada pelo inconsciente para viver aquilo que deixou de viver, na sua essência, por imposição do seu meio ambiente, da cultura familiar e da sociedade. O ser, acionado por angústias indefinidas, procura caminhos que lhe mostrem saídas para o sofrimento. No mundo interior, a alma vive num espaço desconhecido que foge de todas as regras do mundo consciente e aparente da matéria. A aparência material que os nossos sentidos registram é extremamente diferente daquelas energias invisíveis que movem a vida. A psique que é apresentada para a consciência, não é real e verdadeira na sua essência e aparência. Ela pode ser analisada numa introspecção profunda para se descobrir a sua verdade. A identidade individual está encoberta por véus e sombras sobre as quais precisam ser jogadas fortes luzes para que o indivíduo perceba a verdadeira realidade das forças que a compõem.
O corpo material nem sempre identifica essas forças. A alma apresenta, às vezes, uma configuração própria que não se identifica com a aparência sexual do corpo físico. O corpo físico (visível) e a alma (invisível) são realidades que formam uma unidade, o indivíduo. O corpo físico pode ter a aparência de um macho e a psique ou alma, a identidade de uma fêmea. As forças femininas, neste caso, precisam adaptar-se à imagem masculina. O comportamento do indivíduo precisa adequar-se à imagem que o corpo projeta para os outros. Ora, são as forças da alma que animam o corpo e o comportamento do indivíduo é impelido a segui-las. Nesta contradição entre o visível e o invisível formam-se os traumas com muito o sofrimento. Neste universo temos, então, um corpo masculino com uma alma feminina; e no seu gênero oposto uma pessoa com um corpo feminino e alma masculina.
A energia sexual move o indivíduo e o gênero necessita da força oposta para se completar. Esta força instintiva exige satisfação e realização. Luiz Antônio Gasparetto, com muita lucidez, afirmava que havia três sexos: masculino, feminino e gay. O feminino caracteriza-se por ser sensível, passivo e romântico; o masculino é ativo e o gay feminino. Toda a complexidade de forças que forma a individualidade, entretanto, não podem ser definida particularmente, pois forma um universo que necessita ser descoberto individualmente.
O homem feminino vai encontrar inconscientemente, para satisfazer o instinto, uma mulher com alma masculina. Parece que a natureza encontrou uma solução, com um ¨pequeno¨ problema: esta mulher não tem pênis. O casamento entre este homem e esta mulher pode acontecer, mas não trará a satisfação física e mental que o sexo exige. Então este homem precisa encontrar um homem de verdade para se relacionar e encontrar satisfação; e a mulher com alma masculina, precisa encontrar uma mulher de verdade com alma feminina. Assim as forças do universo se realizam e se completam.
Se as forças sexuais individuais forem fracas, este movimento pela busca da completude pode permanecer inconsciente e os traumas não existirão. São os mistérios da vida.
Ah, mas existem as pessoas “normais” que seguem a vida sem que estes turbilhões da vida as afetem.

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