Caí no riacho

Morávamos numa pequena casa de alvenaria no sítio dos meus avós.
Próximo passava um fio de água que se perdia no meio da vegetação rasteira. Duas a três tábuas formavam uma passagem sobre a água. Junto estava o cocho de lavar roupas abastecido através de uma calha de palmito, por uma fonte que brotava na base do morro em frente.
O banho de corpo inteiro não era recomendado. Havia restrições religiosas. Tomar banho de rio não era um costume aceitável, considerando principalmente, a possibilidade de afogamento. As crianças, portanto, deveriam ficar afastadas da água.
Eu sou nascido escorpião e a água é o meu elemento básico. A atração que a água exerce sobre mim é muito forte. Eu deveria ter uns dois anos de idade, quando fui brincar perto do cocho. E caí no riacho... Não me lembro de ter feito algum escândalo, mas papai apareceu rápido e agitado, e lógico, levei umas boas palmadas.
Depois de quase sessenta anos sonhei:
"Estou começando a caminhar. A visão que tenho da água de uma pequena represa é magnífica, estou quase no nível da água, sou muito pequeno. Eu sinto a água - o quadro é de cores fortes - há um cheiro muito agradável, caminho cambaleando sobre uma armação de tábuas que formam um pequeno trapiche. A imagem do ambiente é maravilhosa."
Observem como o cérebro registra a memória. Ele muda as imagens, a tonalidade, a cor, etc. Por isto, nunca acredite totalmente no depoimento de uma testemunha.

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