Dasein

"O homem é uma história que está acontecendo. E é justamente o fato de ele ser uma história que está acontecendo que vai fundar o conceito de Dasein. Dasein é a idéia que Heidegger tem de ser humano, baseado nesta condição cuja a identidade é a própria história. É uma visão muito peculiar de homem, por ser diferente das visões tradicionais. Ela situa o homem num comprometimento com sua identidade como um processo em construção. Então, o homem não tem uma identidade, ele passa a sua vida construindo a pessoa que finalmente acaba sendo, e só acaba sendo no momento que ele morre.br> Por isso, Heidegger vai dizer que o Dasein é ser-para-morte, porque ele é aquele ente que só chega a ser ele mesmo no momento que ele não é mais. Outro ponto importante para compreendermos Dasein refere-se à forma como ele se situa no mundo. O homem está lançado em uma posição extremamente angustiante: quando ele olha para frente, existe a indeterminação do futuro, pois ele não sabe o que vai ser. Ele torce, atua, constrói e orienta o futuro, mas esse futuro está indeterminado. Quando ele olha para trás, o que ele vê está totalmente determinado enquanto conjunto de acontecimentos, mas o significado daquilo que foi está em suspenso, porque a cada novo passo, a cada novo elemento, a totalidade da história de vida desse homem se transforma. Futuro e passado se apresentam, então, de uma forma totalmente indeterminada – o futuro com relação ao fato, o passado com relação aos significados.
Essa posição do homem o deixa desamparado, pois diferente de todos os entes do mundo que já são alguma coisa, o Dasein ainda vai ser, e essa é a tradução do termo “Ek-sistere”, que significa “vindo-a-ser”, porque quando o Dasein constrói a sua identidade na sua história, e essa história está em processo, esse Dasein não chegou no lugar em que os entes todos já estão, porque eles todos são, o homem existe!
Em uma leitura daseinsanalítica do homem, percebemos que ele está em uma condição extremamente ameaçada, e se a expressão de Riobaldo, personagem da obra Grande Sertões: Veredas, de Guimarães Rosa, é verdadeira, ela é verdadeira numa leitura heideggeriana. Riobaldo diz em várias partes do texto: “Moço, viver é muito perigoso”." (Desculpem-me, esta página da internet já não existe mais)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Meu avô - Francisco Pitz – “Dea Petza Chic”

Seres extraterrestres

Condicionamento do cérebro