Tempestades

A propriedade fica num pequeno vale estendendo-se na direção norte e nordeste. A entrada do vale fica a sudoeste. O ventos predominantes são o nordeste, que se manifesta como uma suave brisa e o sul, que é percebido pela movimentação da copa das árvores das partes mais altas. As trovoadas com ventos fortes e que geralmente são acompanhadas de granizo, vêm de sudoeste.
Quando com chuva forte, o vento começava a zunir e a porta principal da casa (grande) ameaçava ceder, nós nos colocávamos a escorá-la com as mãos, e die Mama corria a colocar a queimar no fogão a lenha, folhas secas de palmito que haviam sido bentas na procissão de Corpus Christi. Santa Bárbara era invocada. Algumas telhas o vento arrancava ou mudava de posição, mas quando era muito forte, árvores eram derrubadas.
A maior tempestade de que tenho lembrança aconteceu quando morávamos na casa menor. Eu deveria ter aproximadamente três anos. A casa não tinha forro e, de repente, olhando para cima, vi somente o branco da chuva e do vento.
O telhado havia sido arrancado. Die Mama pegou-me pela barriga e, junto com a minha irmã Hilda, colocou-nos debaixo da cama do casal. Papai estava no engenho que em parte foi destelhado. Disse-nos depois que uma pedra, que com o seu peso servia para firmar as telhas, havia caído próximo a seus pés, quase o matando.
Depois da tempestade restavam o granizo espalhado pelo pasto e as árvores tombadas.

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