Uma pequena joia

Foi também nesse tempo que ganhei uma pequena chave, daquelas que vinham soldadas em latas de conserva. Para abrir, bastava girar a chave. A segunda guerra mundial havia acabado há pouco tempo, e por cá acabaram chegando muitas coisas diferentes. Sobras da guerra. Não sei quem me deu a chave, mas eu a considerava uma coisinha especial, pois era diferente .
Meu pai estava derrubando uma área de floresta virgem perto do tanque, para fazer uma roça. Depois que derrubaram as árvores fui até lá brincar. Árvores enormes de canela, peroba e outras estavam tombadas umas sobre as outras. Um local incrível para uma criança folgar. Entre subir e descer aqueles troncos e galhos, de repente, minha chave escapuliu-me da mão e foi cair no meio daquele amontoado de ramos e folhas. Fiz de tudo, procurei, virei, mexi e nada. Certamente era mais fácil achar uma agulha num palheiro.
Abateu-me uma profunda tristeza. Havia perdido minha pequena joia.
Mas foi um alerta para além da minha compreensão de criança, da derrubada de árvores centenárias sem qualquer objetivo, naquele caso, apenas para a satisfação pessoal de poder absoluto, na luta contra a natureza.

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